domingo, janeiro 29, 2012

No que de beijo


Que em cada pranto
um só (en)canto me fizesse,
em nenhum canto
qualquer navalha cortasse,
se tua boca loucura me fosse
no que de beijo
doçura ficasse.
No que de beijo,
amor,
loucura,
tua boca encerrasse,
em nenhum canto
qualquer navalha cortasse,
trago no peito a ternura
do que, partindo,
não fosse: ficasse!

Delermando Vieira

sexta-feira, janeiro 13, 2012

desejos alheios emprestados

Há tempos quero uma calça rosa. Dias desses, passeando pelo shopping com uma amiga, entramos em uma loja e achei uma parecida com a que quero. Procurei meu tamanho para provar e ela procurou pelo tamanho dela. Mas as calças não ficaram boas, e ela me disse: eu estava vivendo bem sem uma calça rosa até hoje, agora que você falou parece que é algo que sempre precisei.
Ironicamente (ou não, porque a vida tem dessas coisas), hoje me vejo em situação parecida, embora o que eu queira não seja mais algo material - a calça comprei semana passada, nada que o cartão de crédito não resolvesse.

escutatória

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.”

- Rubem Alves

quarta-feira, janeiro 11, 2012


Chove. Mas não muito. E tem tempo mais propício pra fazer ressurgir alguns desejos? Como se a chuva, lá de fora, regasse aquilo que era já semente dentro da gente.
Queria que você aparecesse. 

Por que que você não aparece?