Ela, a mulher que passa do lado de fora do vidro, a mulher que mora ali. Onde fico inventando o pretexto perfeito, impreciso, para conhecer a hora de vê-la. Forjando o encontro casual, a ocasião. Como se fosse possível um acaso premeditado. Então sempre era quase – quando eu sabia adivinhar seus horários falsos, quando chegava nos lugares sempre um minuto antes, sempre longe da hora exata... meu rosto disfarçado pelas páginas do jornal, minha atenção voltada para os próximos passos. O fugaz instante onde ela estava. O frustrado construtor de coincidências, eu. Enquanto isso, era a velha reprise daquele penúltimo capítulo. O não acontecido.
Jorge Viveiros de Castro
Jorge Viveiros de Castro
