terça-feira, setembro 25, 2007

E nem assim se pôde evitar.

Vou precisar de um tanto quanto bastante de calmaria. Qual tal o susto de me perceber modificada após o confortável som de um saxofone? Sinto agora, muito intensamente, a caneta na ponta dos meus dedos. Quase assim como quase sinto o esfregar da minha palma no ombro do menino loiro-pintado que me causou um turbilhão de pensamentos e emoções.
Despreparada e absorta caí no abismo indomável de seus gestos. Com um susto grande que aquela confusão em mim me foi boa, a ponto, quase, de me sarar de um soluço. Na cabeça uma raiz preta; no tronco magricelo a camiseta de alguma banda de metal; nas pernas, a vontade de ajudar a criança caída fez desvencilhar-se da grama gelada do primeiro dia de primavera e tê-la; nos braços, ela. A mãe logo correu para dar segurança materna à criança chorosa que me pareceu mais aliviada em sair dos braços do menino, do que de sair para os braços do mesmo quando estava no chão com o carrinho em cima do corpo. Não havia, talvez, uma necessidade urgente, de ter o cuidado que o menino desconhecido e tímido teve, de tirá-la do carrinho que o pai, agora, tentava com esforço desenroscar da pequena barragem de cimento que separava o asfalto da grama - onde encontrava-se, não coincidentemente, eu, sentada a conversar alguma conversa despreocupante. Tão despreocupada e oca de mim estava nesse instante, que o instante-já - como já dizia Clarice - atreveu-se a fazer com que eu retornasse a mim. Mim dos meus momentos intensos. Mim dos meus próprios momentos.